terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O fardo da inteligência.


Eu tenho uma máxima, que talvez só eu siga que diz: "Não confio em quem é feliz o tempo todo". Digo isso me baseando no fato de que ninguém que fez algo importante viveu ou vive feliz plenamente.
Mas então por qual motivo essas pessoas que tanto ajudaram não são felizes? Porque elas sabem demais.
É verdade senhoras e senhores e bichos escrotos. A inteligência e o conhecimento são fardos pesados demais para serem carregados. O cidadão inteligente sabe demais e tem opinião sobre tudo, e o pior, ele enxerga um passo a frente dos outros, além da capacidade de reconhecer a verdade e as verdadeiras intenções. Sem contar que esse conhecimento dá ao inteligente uma noção de mundo muito maior que a sua por exemplo.
Isso faz do inteligente alguém muito melhor, mas por outro lado, esse conhecimento posto em prática nos deixa triste, basta observar a sociedade, alienada, ignorante, despropositada, burra e sem rumo. Fazemos então uma análise dessa sociedade e nos sentimos profundamente desanimados, não conseguimos mais nos encaixar devido a incapacidade dos outros de compreenderem nossa visão de mundo (é ai que somos taxados como loucos).
Então o pior ocorre, a convivência com as outras pessoas aumenta ainda mais o seu desânimo ao notar que poucas dessas pessoas conseguem entender você, na verdade a maioria delas é fútil, fraca, ignorante, alienada, acomodada ou é burra mesmo. E você se sente triste pela ignorância do próximo, e por mais que você tente melhorar essa pessoa ela reluta em permanecer do jeito que está.
Você se entristece, mas a pessoa está feliz por ser daquela maneira, ela diz: "É o meu jeito". Ai vem o seu ódio por todo o resto. Sempre que você tenta ver o tema de maneira otimista você esbarra no racional e tudo se perde. É ai que o inteligente perde as esperanças, ao ver que o ignorante é feliz na ignorância dele.
O inteligente se mantém, faz suas realizações e é importante, mas o sentimento de tristeza sempre vem quando ele lembra que ainda falta alguma coisa.
O ignorante é feliz porque ele não sabe de nada, e quem não sabe nada não forma opinião e não reconhece o mundo real a sua volta (quero esclarecer que falo do ignorante por opção, vide o post do pessimismo) e portanto não tem os mesmos motivos que o inteligente pare perder o seu encanto. Olhando por esse ponto de vista ele é sempre feliz, mas também não realiza nenhum feito grandioso e não toma conhecimento de nada pois sua ignorância o priva disso.
Então resta aos melancólicos gênios criarem para que um mundo ignorante possa usufruir dessas criações de maneira livre.
Quem sabe assim os inteligentes soltem um pouco do peso que o conhecimento imprime em suas costas.

Ass.: Robson Jr., Novas criações em breve. Muito em breve...

4 comentários:

Samuel 12 de dezembro de 2007 11:06  

Sábias palavras. O texto que você citou também, conseguiu expressar muito bem o que você já tinha falado anteriormente; mas eu creio que na verdade o fardo não seja bem a inteligência e sim o conhecimento. Homens como a gente cara, que são sensíveis a dor do próximo, e 'calçam os sapatos' ou sentem na própria pele os problemas que o povo vem sofrendo na nossa sociedade, se sentem impotentes ao saber que algo podia ser feito se houvesse a cooperação de todos. É tão grande o comodismo das pessoas e não poder fazer nada dói. Também nos desanima saber que mesmo com toda nossa capacidade e persuasão, que pessoas ainda mais capazes, persuasivas e muitas vezes até influentes, não alcançaram os resultados desejados pelo qual batalharam tanto, e isso tudo porque a mudança começa de dentro pra fora e nunca o contrário. A palavra consciêntização é derivada de consciência e enquanto as pessoas não mudarem e ‘enxergarem com seus própios olhos’ que a maneira delas agirem(ou não agirem) está errada, a consciência das mesmas não vai acusá-las. É triste mas como charlie brown já dizia: ‘Você não precisa salvar o mundo, só não acabe com ele’.

Robson Jr. 12 de dezembro de 2007 18:51  

Eu concordo plenamente com o seu ponto de vista, só de não acabar com o mundo nós já estaríamos fazendo um bom trabalho. Mas minha grande intenção com o texto foi mostrar o paradoxo existente entre conhecimento e ignorância, felicidade e tristeza. Sacou Samuel sumido? Hahahaha.


Ps.: Na ultima frase todas as palavras começaram com "s". Genial!

Samuel 12 de dezembro de 2007 19:09  

eu sei cara, o que a propósito ficou bom pra caralho...Não sei se eu já te falei cara, mas eu acho que você consegue se expressar muito bem através ds seus textos, e eu sempre me identifico muito com eles, ou no mínimo tiro algo proveitoso deles.

toni 8 de novembro de 2013 10:38  

Bom saber que não sou o único. Mas é muito triste sentir que não se pertence a este mundo.

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